sexta-feira, 8 de maio de 2015

O REINO A QUE VOCÊ PERTENCE


            Conta-se que certa ocasião, um imperador alemão realizou uma visita a uma das mais afastadas províncias dos seus domínios.
            Passando por uma pequena escola, situada à beira da estrada por onde passava, em uma zona rural, resolveu interromper a viagem e visitar os alunos.
            Professores e crianças o receberam com emoção, respeito e acatamento.
            No meio de tanto entusiasmo, houve quem improvisasse um discurso para saudar a ilustre personagem.
            O imperador ficou surpreso e feliz com a recepção.
            Percebendo que a classe era viva, inteligente e desinibida, sentiu-se muito à vontade entre os alunos.
            Depois de os ouvir cantar, declamar, discursar, ele resolveu se divertir um pouco com eles.
            Pediu a seu secretário que lhe trouxesse uma laranja e, mostrando-a aos meninos e meninas, perguntou:
            “Qual de vocês é capaz de me responder a que reino pertence esta fruta que tenho na mão?”
            “Ao reino vegetal.” – respondeu de imediato uma garota risonha, de olhos brilhantes e muito comunicativa.
            “Surpreendente!” – disse o imperador. E continuou:
            “Já que você respondeu com tanta precisão, vou lhe fazer duas outras perguntas. Espero que você responda correta e imediatamente. Se me responder sem hesitar, eu lhe dou uma medalha como prêmio. Aceita o desafio?”
            “Aceito, sim senhor.” – falou prontamente a garota.
            Então, colocando a mão no bolso de sua farda, tirou uma moeda e a mostrou à menina, indagando:
            “E esta moeda – a que reino pertence?”
            “Ao reino mineral.” – disse ela.
            “E eu, a que reino pertenço?” Questionou o imperador.
            Houve um rápido momento de silêncio. Os colegas se entreolharam. A garota apagou o sorriso alegre. Ficou séria e constrangida. Ficou preocupada em ofender o imperador, dizendo que ele pertencia ao reino animal.
            Mas, afinal, a resposta seria a correta. Contudo, pensava, poderia perder a medalha e até ser repreendida.
            Então, de repente uma resposta lhe veio à mente. Seus olhos voltaram a brilhar, um sorriso iluminou a sua face e ela respondeu,alto e claro: “o senhor pertence ao reino de Deus!”
            A resposta da menina causou admiração entre os colegas, professora e toda a comitiva que acompanhava o imperador.
            Foi, no entanto, o próprio imperador que mais se sentiu tocado pela afirmativa da garota.
            Com voz embargada, entregou a medalha prometida e, emocionado, falou: “Espero que eu seja digno desse reino, minha filha!”
            Pense nisso!
            Todos somos de Deus. Grandes e pequenos. Pobres e ricos. Saudáveis e enfermos.
            Independente de cor, raça, nacionalidade, todos somos de Deus.
            Todos fomos criados por Ele, mesmo que alguns afirmemos não acreditar que Ele exista.
            Somos alimentados por seu amor, todos os dias. E todos alcançaremos, embora em momentos diferentes, o seu reino de paz, de justiça e amor.
            Isso porque Deus ama a todos de igual maneira e oferece as mesmas chances de progresso e felicidade.
            E pacientemente espera que aceitemos a sua oferta.
            Todos somos de Deus. Você, eu, a humanidade inteira!
            Não esqueça disso e abra seu sorriso de esperança, renove as suas forças e prossiga no rumo da luz, abraçando o bem.
(Equipe de Redação do Momento Espírita com base em história de autor desconhecido. -www.momento.com.br)  

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CRISES


"Pai , salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora." - Jesus (João, 12:27)

    A lição de Jesus, neste passo do evangelho, é das mais expressivas.
    Ia o Mestre provar o abandono dos entes amados, a ingratidão de beneficiários da véspera, a ironia da multidão, o apodo na via pública, o suplício e a cruz, mas sabia que ali se encontrava para isto, consoante os desígnios do Eterno.
    Pede a proteção do Pai e submete-se na condição do filho fiel.
    Examina a gravidade da hora em curso, todavia, reconhece a necessidade do testemunho.
    E todas as vidas na terra experimentarão os mesmos trâmites na escala infinita das experiências necessárias.
    Todos os seres e coisas se preparam, considerando as crises que virão. É a crise que decide o futuro.
    A terra aguarda a charrua.
    O minério será remetido ao cadinho .
    A árvore sofrerá a poda.
    O verme será submetido à luz solar.
    A ave defrontará com a tormenta.
    A ovelha esperará a tosquia.
    O homem será conduzido à luta. 
    O cristão conhecerá testemunhos sucessivos.
    É por isso que vemos , no serviço divino do Mestre , a crise da cruz que se fez acompanhar pela benção eterna da Ressurreição.
    Quando pois te encontrares em luta imensa, recorda que o Senhor te conduziu a semelhante posição de sacrifício, considerando a probabilidade de tua exaltação, e não te esqueças de que toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Vinha de Luz)
       

OPORTUNIDADE E NÓS



“Procura apresentar-te a Deus aprovado como obreiro que não tem de que se envergonhar...” — Paulo (II Timóteo, 2:15).


            Não admitas que o bem se processe a distância de esforço paciente que o concretize.
                                                                    *
            O Criador estabelece a árvore na semente.
            A criatura pode protegê-la e aperfeiçoá-la.
                                                                    *
            Recebes da Divina Providência o tesouro das horas, o apoio do conhecimento, a possibilidade de agir, o benefício do relacionamento, mas a formação da oportunidade para que te realizes nas próprias esperanças depende de ti.
                                                                    *
            Não há confiança profissional sem o devido certificado de competência.
                                                                    *
            Não disporás efetivamente da máquina sem conhecer-lhe a engrenagem com a respectiva função.
                                                                    *
            Nas áreas do espírito, as leis são as mesmas.
           Esforçar-te-ás em adquirir entendimento; praticarás o respeito aos semelhantes; acentuarás, quanto possível, as tuas prestações de serviço em apoio dos outros e angariarás a simpatia de que necessitas no próximo, a fim de que o próximo te auxilie na edificação de teus ideais. Então, credenciarás a ti mesmo, para que a oportunidade te valorize.
                                                                    *
            Em qualquer tarefa de melhoria e elevação, em que esperemos novas aquisições de paz e alegria, felicidade e segurança, não nos esqueçamos de que a possibilidade nasce de Deus e que o trabalho vem de nós.

(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Ceifa de Luz)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Onde quer que estejas

Onde quer que estejas, não refugues a oportunidade de servir, nem te sintas tolhido pelas dificuldades que grassam ao teu redor;
Onde quer que estejas, ama sempre; não importa se os que te estão próximos estejam vinculados ao ódio e ao rancor. Quanto a ti, sê aquele que ama, perdoando;
Onde quer que estejas, e com quem estiveres, distribui a semente do Evangelho, bênção divina que conheces;
Onde quer que estejas, a ninguém ignores ou emules, quer sejam poderosos e ricos, quer sejam almas humildes à margem da vida; todos jazem, de uma ou de outra forma, aguardando a dádiva da tua compreensão;
Onde quer que estejas, ou aonde fores, leva contigo o tesouro que adquiriste nas páginas do Evangelho e divide-o com os que não o conhecem.
Serve, onde quer que estejas, consciente de que és necessário, pois a seara é imensa e os trabalhadores de boa vontade são poucos.
Não desperdices, nunca, as múltiplas oportunidades de plantar a semente da Boa Nova.
Sê fiel ao mandato de cristão, cumpre-o onde quer que estiveres.
Não te deixes intimidar pelas convenções sociais, nem faças concessões ao mundo leviano; honra tua condição de espírita, de cristão e filho de Deus.
Não vises a recompensas onde estiveres trabalhando na seara do Cristo; não busques elogios, com quem estiveres falando em nome d'Ele; todavia, verás tuas bênçãos dilatadas e sanadas as chagas da tua alma, pela ação saneadora do Bem.
Onde quer que estiveres, e com quem estiveres, não armazenes dores, nem mágoas, não cultives peçonha, nem malicia.
Ergue, em ti, o escudo protetor da oração e do Evangelho; constrói o bastião da caridade, da compaixão, por aqueles que despedaçaram, dentro de si, a fé e a esperança.
Apresenta-lhes o Evangelho, restaurando-lhes a fé vencida e a esperança escondida. Modifica-lhes os painéis mentais, valorizando-os como irmãos do Cristo.
Assim, onde quer que estejas, não estarás só, e com quem quer que estiveres, também aí estará o Consolador.
Confia n'Ele, trabalhando e perseverando na escolha que fizeste: ser cristão.
A tua escolha marcou-te com o sinal do Cristo, serve-O, em todos os momentos, em todos os lugares e com todos os que de ti se aproximarem.

Lar Espírita Chico Xavier - Psicografado por Vera Cohim pelo Espírito Amélia

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Teu conflito

Aturdido, defrontas-te com acontecimentos, que te colhem de surpresa;
Angustiado, não vês solução imediata para os teus problemas;
Aflito, envolves-te na dor e cessas de pensar com equilíbrio.
A vida colheu-te de surpresa em verdadeira tempestade emocional; anseias solucionar, à tua maneira, a problemática que hoje atormenta a tua existência.
Em meio ao teu caos emocional, esqueces a terapia insuperável da prece. Absorves, apenas, as emanações pesadas do teu conflito.
Debates-te entre a moral espírita, que te convida a perdoar e o teu orgulho, abalado e contundido.
Acalma-te e ouve. Nós te queremos lembrar da caridade paciência, que te solicita ajuizar melhor os acontecimentos, e a aguardar, pacientemente, as mudanças ou a aceitar o já estabelecido.
A angústia, o aturdimento e o orgulho são maus conselheiros, enquanto que a caridade-paciência é bálsamo, suavizando pela calma, a tua ansiedade.
A caridade-tolerância é outra excelente virtude e far-te-á compreender os que te ferem e magoam.
Medita.
O acaso não existe e o momento que hoje vives, aflitivo e difícil, é o teu teste, como espírita e cristão.
Não fujas ao testemunho.
Não relutes em abrir mão das tuas convicções do homem velho, em favor da caridade-paciência, da caridade-tolerância, da caridade-perdão, que requisitam de ti, hoje, a postura do homem novo que pensas ser. É hora de, não apenas pensares que és, mas seres de fato um novo homem, cristão convicto na Doutrina dos Espíritos e enfrentares, com coragem, sem angústias, nem desequilíbrios, o teste para a tua fortaleza.

(Lar Espírita Chico Xavier - Psicografado por Vera Cohim pelo Espírito Amélia)

domingo, 3 de maio de 2015

BUSCANDO A FELICIDADE


A felicidade que pode realmente não existir na Terra, enquanto a Terra padecer a dolorosa influenciação de um só gemido de sofrimento, pode existir na alma humana, quando a criatura compreender que a felicidade verdadeira é sempre aquela que conseguimos criar para a felicidade do próximo.
O primeiro passo, porém, para a aquisição de semelhante riqueza é o nosso entendimento das leis que nos regem, para que o egoísmo e a ambição não nos assaltem a vida.
O negociante que armazena toneladas de arroz, com o propósito de lucro fácil, não poderá ingeri-lo, senão na quantidade de alguns gramas por refeição.
O dono da fábrica de tecidos, interessado em reter o agasalho devido a milhões, não vestirá senão um costume exclusivo para resguardar-se contra a intempérie.
E o proprietário de extensas vilas, que delibera locupletar-se com o suor dos próprios irmãos, não poderá habitar senão uma casa só e ocupar, dentro dela, um só aposento para o seu próprio repouso.
Tudo na existência está subordinado a princípios que não podemos desrespeitar sem dano para nós mesmos, e, por esse motivo, a felicidade pura e simples é aquela que sabe retirar da vida os seus dons preciosos sem qualquer insulto ao direito ou à necessidade dos semelhantes.
Assim, pois, tudo aquilo que amontoamos, no mundo, em torno de nós, a pretexto de desfrutar privilégios e favores com prejuízo dos outros, redunda sempre em perigosa ilusão a envenenar-nos o espírito.
Felicidade é como qualquer recurso que só adquire valor quando em circulação em benefício de todos.
Em razão disso, saibamos dar do que somos e a distribuir daquilo que retemos, em favor dos que nos partilham a marcha, porque somente a felicidade que se divide é aquela que realmente se multiplica para ser nossa alegria e nossa luz, aqui e além, hoje e sempre.

(Do livro Inspiração", Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A ÁGUIA DE ASAS PARTIDAS

Ele possuía muitas riquezas. Tinha as arcas abarrotadas de ouro e gemas preciosas.
    A juventude lhe sorria e os amigos sempre se faziam presentes nos banquetes.
    Habituara-se a dormir em seu leito de ébano e marfim. Dormir e sonhar.
    Em seus sonhos, misturava-se a realidade das tantas vitórias que lhe enriqueciam os dias. E um desejo de paz que ainda não fruía.
    Ele amava as corridas de bigas e quadrigas. Recentemente comprara cavalos árabes, fogosos. E escravos o haviam adestrado durante dias.
    Tudo apontava para a vitória nas próximas corridas no porto de Cesaréia.
    Mas os momentos de tristeza se faziam constantes.
    A felicidade não era total. Faltava algo. Ao mesmo tempo, ele temia perder a felicidade que desfrutava.
    Por isso, ouvindo falar daquele Homem singular que andava pelas estradas da Galiléia, o procurou.
    Bom mestre, que bem devo praticar para alcançar a vida eterna?
    Desejava saber. Como desejava. A resposta veio sonora e clara:
    Por que me chamas bom? Bom somente o Pai o é.  À tua pergunta, respondo: 
    “Cumpre os mandamentos, isto é, não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honrarás teu pai e tua mãe.”
     Tudo isso tenho observado em minha mocidade. No entanto, sinto que não me basta. Surdas inquietações me atormentam. Labaredas de ansiedade me consomem. Faltava-me algo!
    Então – propõe-lhe a Luz – vende tudo quanto tens, reparte-o entre os pobres. Vem, e segue-Me!
    A ordem, a meiguice daquele Homem ecoava em seu Espírito  Ele era uma águia que desejava alcançar as alturas.  E o Rabi lhe dizia como utilizar as asas para voar mais alto.
    Pela mente em turbilhão do jovem, passam as cenas das glórias que conquistaria. Os amigos confiavam nele.
    Tantos esperavam a sua vitória. Israel seria honrada com seu triunfo.
    Sim, ele podia renunciar aos bens de família, mas ao tesouro da juventude, às riquezas da vaidade atendida, os caprichos sustentados...?
    Seria necessário renunciar a tudo?
    A águia desejava voar, mas as asas estavam partidas...
    Recorda-se o jovem que os amigos o esperam na cidade, para um banquete previamente agendado. Num estremecimento, se ergue:
    Não posso!  – murmura.  Não posso agora. Perdoa-me.
    E afastou-se a passos largos.  Subindo a encosta, na curva do caminho, ele se deteve.  Olhou para trás.
Vacilou ainda uma vez.
    A figura do mestre se desenha na paisagem, aos raios do luar. A Luz parece chamá-lo uma vez mais.
    Indecisa, a alma do moço parece um pêndulo oscilante. A águia ainda tenta alçar o vôo. O peso do Mundo a retém no solo.
    Ele se decide. Com passos rápidos, quase a correr, desaparece na noite.
    Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas narram o episódio e dizem de como o jovem se retirou triste e pesaroso.
    Nem poderia ser diferente: fora-lhe dada a oportunidade de se precipitar no oceano do amor e ele preferira as areias vãs do Mundo.
* * *
    O Divino Amigo nos chama, diariamente, para a conquista do reino de paz.
    Alguns ainda somos como o moço rico. Deixamos para mais tarde, presos que ainda estamos a muitas questões e vaidades pessoais.
    É bom analisar o que vale mais: a alegria efêmera do Mundo ou a felicidade perene que tanto anelamos. Depois, é só optar.
( Redação do Momento Espírita com base no cap.  O mancebo rico, do livro Primícias do Reino, do Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.  Sabedoria. Disponível no CD Momento Espírita, v.  11, ed.  Fep. -www.momento.com.br)